Rua João Zanette e as transformações urbanas

De artéria imponente a calçadão, as marcas de décadas

07 Dezembro 2020 | Segunda-feira 16h41

De principal via central a mero apêndice dos passeios públicos, a Rua Conselheiro João Zanette tem sido um braço das transformações urbanas de Criciúma. E como uma boa imagem supera a descrição de mil palavras, que falem as fotografias.
 
Estas duas da década de 1930 - de provável autoria de João Sbruzzi - permitem contemplar os sentidos inversos, o que inclui o acesso à antiga estação ferroviária. Já em direção à praça, observa-se a outrora solitária torre mais elevada da igreja matriz.



Nos registros, uma referência natural e outra de perfil imobiliário. O Rio Criciúma cortava ao meio a ruela, interligada por um pontilhão. A esquina à margem da estrada de ferro, por sua vez, já se destinava a um albergue, o Popular Hotel.

Reconstruído na década seguinte, o empreendimento ganhou dois pisos e foi rebatizado de Hotel Brasil. As fotos dos anos 50 e 60 - de Faustino Zappelini, suponho - detalham mudanças nas construções. Antes com plantas térreas, deram lugar a sobrados e a matriz já ostentava as torres atuais.


 
Na foto de 1973, o destaque fica por conta da icônica passarela sobre o ramal ferroviário, conhecida por "viaduto da estrada de ferro". Edificada 20 anos antes, foi desmontada e transferida em 1975 devido a substituição dos trilhos pela Avenida Centenário.


A implantação do calçadão no entorno da Praça Nereu Ramos em 1978 dilatou seus passeios, facilitando o acesso ao Terminal Urbano inaugurado em janeiro de 1980. O fluxo de veículos foi restringido a uma canaleta, como mostram estas fotos do Jornal da Manhã de 1990.

 

A construção de um novo terminal em 1996 deu o arremate na João Zanette. Com o túnel de acesso subterrâneo cravado na sua extremidade, converteu-se em extensão do calçadão. Restou-lhe, como elo com o seu passado, o vaivém de passageiros.


Colaboração: Jaaffar Omari
 
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